Pode a RFID sobreviver à “Internet das Coisas”?

Pessoal, excelente artigo publicado na RFID Connections, veículo de divulgação de tecnologias relacionadas à RFID da AIM Global.

Por Bert Moore – Editor: O conceito de “Internet das Coisas” está dificultando a implantação da RFID?

É uma grande visão: Tudo no mundo conversando com qualquer outra coisa no mundo. Uma refeição congelada se comunicando com o refrigerador, microondas e lista de compras automática; roupas dando instruções a uma máquina de lavar e secadora e se consultando com um Consultor de Moda inteligente nos guarda-roupas; um armário de remédios lendo bulas de medicamentos e disponibilizando-os automaticamente a pacientes geriátricos, relatando a dosagem e o horário dados ao médico do paciente… assim por diante.

Muitas dessas grandes visões são voltadas do ponto de vista do consumidor e isso ajuda a conscientizar como a RFID pode oferecer benefícios diários ao cidadão comum. Mas isso também é ruim porque…

Elas são ruins porque são grandes e complicadas e exigem sistemas que ainda não estão posicionados para as aplicações ou até mesmo não são viáveis no momento. E elas distraem as pessoas de pensar sobre os benefícios da RFID nas menores, mais fáceis de implementar e no custo justificado das aplicações.

Já existem casos e estudos suficientes que demonstram claramente os benefícios de uma aplicação de RFID bem pensada e devidamente implantada para sistemas de gerenciamento de estoque, ferramentas de gestão, controle de produtos, rastreamento e localização, monitoramento de pacientes e, logística. O que a maioria dessas aplicações tem em comum é que elas não são “grandiosas” – elas são focadas em casos específicos de negócios e não dependem de uma infra-estrutura complexa que deve interagir com o mundo inteiro.

Enquanto algumas aplicações importantes como a evolução farmacêutica e a segurança da cadeia alimentar irão requerer uma arquitetura global para se tornar viável, é possível obter benefícios reais sem uma significativa complexidade adicional.

Considere quanto tempo levou para se estabelecer o intercâmbio eletrônico de dados (EDI) de hoje e fazer com que as empresas, de forma coerente e precisa, produzirem 856 avisos de embarque (ASNs). Hoje, as maiorias d

esses sistemas influenciaram os códigos de barras nas etiquetas de envio. Mas muito antes das empresas conseguirem ter seus programas EDI em ordem, o código de barras estava oferecendo benefícios para inventários, faturamento, produção, Controle de Qualidade e Controle de Garantia (QA/QC) – todos, sistemas de “circuito fechado” que abraçaram casos específicos de negócios dentro da empresa.

Reconhecidamente, a utilização de código de barras foi inicialmente aplicada em muitas empresas, mas os espertos aprenderam como transformar o que poderia ter sido apenas um custo adicional de fazer negócios em um benefício, identificando usos internos com um sólido Retorno de Investimento (ROI) e até mesmo expandindo seu uso além do que era ordenado.

Hoje a situação com RFID não é inteiramente analógica à implementação do código de barras, mas a aula continua a mesma: os sistemas que estão sob o controle de uma única entidade. Há um aumento da habilidade de projetar, instalar e utilizar sistemas de circuito fechado que claramente fornece informações úteis para a tomada de decisão e um rápido ROI. Projetados corretamente desde o início, eles podem ser integrados a uma rede maior de sistemas para melhorar a eficiência global.

Pegue, por exemplo, o controle de ativos e a saúde. Usando RTLS para localizar equipamentos médicos e dispositivos móveis, se obtém um ROI em termos de tempo e, geralmente, menos compras de equipamentos. Mas o mesmo Tag pode ser utilizado para identificar quando um equipamento é revisado, calibrado ou esterilizado. E em algum ponto do futuro, o Tag pode ser

também utilizado para calcular horas de uso, considerações ambientais e até comunicar-se com o fornecedor do equipamento para receber notificações de quando um upgrade de firmware ou modificação é requerido ou algum recall tenha sido emitido.

Aplicações de logística é outro exemplo de como um sistema pode mais tarde ser conectado com um maior. Reboques recebidos podem ser temporariamente identificados com uma etiqueta RFID ativa para controlar sua localização e associar seu conteúdo (ou se está vazio), o proprietário, movimentação, empregados que interagiram com o reboque ou com seu conteúdo e outras informações relevantes. Se em algum momento  todos os reboques de transporte e containeres forem identificados com uma etiqueta padrão de RFID, o sistema de infra-estrutura logística pode ser conectado a uma rede mais ampla de modo que fornecedores e todos os clientes possam acessar instantaneamente informações sobre um container ou envio.

Seja qual for o caso, o maior sistema alavancaria o menor, sistema de circuito fechado, a proporcionar benefícios adicionais. Mas o sistema de circuito fechado é o primeiro passo necessário – e aquele que consegue oferecer mais valor e ROI imediatos.

De certa forma, o foco sobre a “Internet das Coisas” é análogo a um problema enfrentado pelos astronautas no início de um programa espacial. A NASA gastou milhões de dólares para criar uma caneta para os astronautas que funcionssae na gravidade zero. Os russos supriram os cosmonautas com lápis.

Talvez seja hora das empresas “afiarem os lápis”.

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