Internet das Coisas deve superar dispositivos dentro de três anos

IoTMáquinas que conversam entre si para criar um ambiente integrado são primeiro passo para cidades inteligentes.

A maneira como vivemos está prestes a mudar drasticamente. A temperatura do seu banho, a reposição de ração para o seu gato e a hora do seu despertador tocar – a partir de dados do trânsito – já podem ser automatizados. Os dispositivos já são capazes de calcular o consumo de energia da sua casa em tempo real e também acionar uma ambulância no caso de um acidente doméstico ou de carro. A IoT (na sigla em inglês), termo que conceitualiza o uso da internet em utensílios do dia a dia para conectar máquinas, sistemas e pessoas, é uma realidade e não mais apenas uma tendência para o futuro.
Empresas de tecnologia, concessionárias, desenvolvedores e fabricantes estão de olho no imenso potencial deste mercado. “Estima-se que em 2018, daqui a apenas três anos, a quantidade de dispositivos de IoT será maior do que o número de celulares, tablets e PCs”, disse Rogério Guerra, diretor de mobilidade da Embratel Claro Empresas, no painel de abertura dos debates do Fórum Mobile+, realizado na última quarta-feira, dia 23. O executivo ressaltou que, além do foco no desenvolvimento de dispositivos para facilitar nossa vida, as empresas estão atentas à infra-estrutura e a modelos de negócios alternativos para implantar as novidades.
“Não se trata de usar uma rede pior para IoT, mas uma rede extremamente eficiente para essa finalidade”, explicou. A maioria dos dispositivos hoje demandam baixo tráfego de dados. Aplicações futuras, porém, precisarão usar as redes 3G e 4G. É o caso dos carros conectados.
Além do uso da infra-estrutura existente, a expansão da IoT precisará integrar e cruzar novos e antigos mercados e criar parcerias com empresas que podem usar da mesma tecnologia em diferentes aplicações. “Uma empresa que regula a gestão de água numa cidade turística, por exemplo, pode perceber que também precisa fazer o controle do tráfego da cidade para implantar seu negócio”, apontou Amri Tarsis, diretor de vendas de IoT da Cisco para América Latina. “É preciso criar um ecossistema capaz de aglutinar diferentes utilidades”, completa. O serviço de automação de iluminação em um poste, por exemplo, permitiria agregar um dispositivo capaz de detectar vagas para estacionar o carro na rua e, ainda, cobrar a taxa de uso diretamente pelo cartão de crédito.
Esse tipo de controle, com máquinas capazes de analisar dados e tomar decisões por si mesmas, abre caminho para as cidades inteligentes, tema também abordado no Fórum. O conceito das smart cities pressupõe eficiência e maior transparência e acesso aos dados de concessionárias e órgãos do governo. “No Brasil, existe uma barreira cultural quanto a esse compartilhamento de informações”, citou George Soares, do Centro de Operações Rio (COR). “Ainda assim, foi possível superar esse desafio.”
Criado em 2010, o Centro de Operações Rio integra hoje 30 órgãos que monitoram, 24 horas por dia, o cotidiano da cidade. Além das informações em tempo real das concessionárias e órgãos púbicos, o Centro capta imagens de 560 câmeras instaladas na cidade. Os dados são interconectados para visualização, monitoramento e análise. Em casos de crise, é possível se comunicar com a residência oficial do prefeito e com a sede da Defesa Civil. “Há quatro anos, um simples acidente de trânsito poderia levar até cinco horas para ser descoberto. Hoje, essa informação chega ao centro quase que imediatamente.”

Por Flávia Martinelli em R7 Tecnologia