Tecnologia RFID ajuda a evitar extravios de bagagens

bagagem Quase todo mundo que viaja de avião tem uma história para contar de quando chegou ao seu destino, mas não encontrou as bagagens. A boa notícia é que dados compilados pela Sita, uma empresa de tecnologia para a aviação, mostram um risco fortemente decrescente de que malas sejam perdidas. O ano passado registrou a menor incidência de perda de malas –6,5 peças por mil– nos 12 anos em que a Sita acompanha essa estatística.

Diversos avanços em tecnologia e nos procedimentos de tratamento de bagagem merecem o crédito, entre os quais melhoras nas etiquetas de código de barras e leitores ópticos. Mas esses sistemas têm limites, e o setor de aviação vem sendo lento para adotar métodos utilizados por outros segmentos. “Veja o comércio on-line”, compara Ryan Ghee, especialista em tecnologia de viagem. “As pessoas encomendam algo e, a cada passo da jornada, são capazes de ver onde está seu pacote.”

Já os códigos de barras de malas podem falhar se a etiqueta estiver enrugada, manchada ou se sua posição não permitir acesso fácil ao leitor. Se a etiqueta não for legível, a mala pode ser perdida sem que alguém perceba. Os leitores de códigos de barra têm índice de acerto de 80% a 95%, no caso de etiquetas de bagagem, de acordo com Nick Gates, diretor da Sita responsável pela tecnologia de bagagem. “Se você conseguir melhorar a precisão na leitura das etiquetas de malas, cai a probabilidade de que a mala sofra atrasos em seu percurso pelo aeroporto”, diz.

É por isso que companhias aéreas e aeroportos estão determinados a melhorar o rastreamento, adotando métodos mais novos que o código de barras, empregado há mais de 30 anos. A nova onda são etiquetas que não precisam ser vistas para serem lidas. A americana Delta passou a usar um modelo que tem incorporado um chip de identificação por radiofrequência.

O chip armazena informações da viagem e precisa apenas estar perto de leitores por rádio para que o caminho da bagagem seja registrado. Passageiros podem usar o aplicativo da empresa para rastrear suas malas. “Esse é o próximo passo em confiabilidade”, afirma Rodney Brooks, gerente-geral de operações aeroportuárias da Delta.

A empresa está investindo US$ 50 milhões em leitores, impressoras e etiquetas de rádio. O sistema está sendo instalado nos 344 aeroportos em que a Delta opera e deve entrar em operação neste mês –e, espera-se, pode acelerar a adoção do sistema por outras companhias de aviação dos Estados Unidos. A francesa Air France, a Lufthansa, da Alemanha, e a Qantas, da Austrália, também já testam chips de rádio para identificar bagagens.

Meta Internacional

A adoção generalizada de etiquetas com chips de rádio não tem sido fácil de implementar, a despeito dos esforços da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo). A organização estabeleceu que, até a metade de 2018, as 265 empresas associadas a ela deverão rastrear bagagens e localizá-las com precisão –em seus voos e quando houver conexão com outras companhias.

“Não importa que tecnologia elas escolham, desde que as malas possam ser rastreadas assim que saírem das mãos dos viajantes”, diz Nick Careen, executivo da Iata. Rastrear bagagens é difícil por diversas razões. Atualizar sistemas para a tecnologia mais recente requer mudanças de infraestrutura que podem ser dispendiosas e incômodas. E a maioria dos aeroportos deixa a cada empresa aérea a tarefa de administrar seu sistema de embarque, o que faz com que as tecnologias e procedimentos variem amplamente.

O aeroporto McCarran, de Las Vegas (EUA), é uma exceção: como parte de sua renovação em 2005, decidiu que adotaria chips de rádio ao sistema de embarque e separação de bagagens. Os chips incorporados às etiquetas de papel usadas em Las Vegas garantem que a bagagem embarcada se movimente de maneira mais rápida e precisa pelo sistema, e elevam a probabilidade de que as malas cheguem aos aviões certos.

“O sistema funciona com muita precisão -em torno de 99,5%”, diz Samuel Ingalls, diretor-assistente de sistemas de informação do aeroporto. Nos últimos dez anos, o McCarran lidou com 160 milhões de malas portadoras de etiquetas de rádio. Existem muitas maneiras para que companhias aéreas e aeroportos usem essas etiquetas. Em 2010, quando a Qantas se tornou uma das primeiras empresas a adotar a tecnologia, começou a vender uma etiqueta reutilizável, de plástico duro, por US$ 60. Um porta-voz informou que mais de 1,5 milhão dessas etiquetas estão em circulação.

As etiquetas de papel de uso único da Delta, como as usadas pelo aeroporto McCarran, são muito mais baratas, e custam alguns centavos de dólar por unidade. Além das companhias aéreas, outros fornecedores desenvolvem versões variadas de malas, etiquetas e apps. A Rimowa, fabricante alemã de bagagens de luxo, tem um código de barras com tinta eletrônica e chip de rádio afixado às malas que vende.

Passageiros que usam essas malas e voam pela Lufthansa podem fazer check-in expresso. “Sempre que você chega com uma dessas malas já etiquetada, pode colocá-la diretamente na cinta transportadora de bagagens e o check-in será automático”, explica Björn Becker, diretor de serviços terrestres e digitais da Lufthansa. Não importa que abordagem as companhias de aviação adotem, Careen, da Iata, ecoa os sentimentos de viajantes ao dizer que os passageiros deveriam “saber o tempo todo onde está sua bagagem”. 

Por Christine Negroni do New York Times para Folha de São Paulo.