RFID transforma modelo de negócios de moda

iotclothesÉ fato que a tecnologia tem revolucionado diferentes áreas do mercado, mudando modelos de negócios ou mesmo acabando com eles. É o caso da relação entre o táxi comum e o Uber e a TV por assinatura e a Netflix. Mas a tecnologia também está presente em mercados que nem imaginamos, como o mundo da moda.

Quem explica essa história é o estilista Renan Serrano, CEO da Trendt, empresa com um conceito diferenciado de loja de roupas. Segundo ele, companhias famosas do setor, como a Zara, já não são meras empresas de moda e sim de tecnologia. “Atualmente, elas usam inteligência artificial (AI) para captar tendências de comportamento e criar peças de roupas baseadas nessas informações, transformando-se em empresas de ‘agile retail’”, diz.

Isso é possível graças as ferramentas tecnológicas que vasculham as redes sociais em busca de comentários específicos, como reclamações de pessoas sobre à falta de uma determinada solução no mercado, e criam modelos baseados nessas informações capturadas.

Serrano não nega que a tecnologia atual pode substituir seu trabalho como estilista. “Enquanto um designer cria 100 modelos por semana, uma ferramenta de AI é capaz de criar mil por dia. A substituição vai acontecer, não dá mais para omitir ou negar, é importante fazermos parte da mudança e não tentar assisti-la”, afirma.

Mas o estilista não acredita que a tecnologia é a vilã da história, mas o contrário. Para ele, a automação não é negativa, “pois retira o trabalho repetitivo de um funcionário e a realoca para pensar”.

E pensar é o que Serrano mais tem feito para descobrir novas formas de trabalhar, tendo criado a loja conceito Trendt. Conforme ele explica, a ideia da loja é atender um único cliente por vez em um estabelecimento sem nenhum funcionário. “A intenção da loja é que o consumidor se cadastre via Internet ou na própria loja e obtenha um cartão RFID da Trendt. Com ele, o cliente poderá escolher sozinho as roupas desejadas e experimentá-las no provador”, diz. O pagamento, segundo ele, pode ser feito via smartphone ou automaticamente, com o próprio cartão RFID.

A tecnologia do projeto entra nas etiquetas RFID inseridas nas roupas que se comunicam com o cartão do cliente e com leitores dentro da loja, que capturam informações sobre quais roupas os consumidores levam sem provar, quais passam pelo provador e quais eles deixam de levar após experimentar. Tudo para entender o porquê isso acontece e criar novos modelos a partir daí.

De acordo com Serrano, a tecnologia é open source e foi desenvolvida por um PhD. em Londres. “Estamos testando protótipos aqui no Brasil e na Inglaterra. A intenção é abrir a loja já com a tecnologia em uso”, diz. O projeto, porém, ainda depende de um investidor para ser concluído.

De estilista a palestrante

Serrano comenta que o mundo globalizado e conectado permite que a troca de informações seja facilitada, tornando mais simples descobrir como utilizar novas tecnologias com pesquisas na Internet e participando de grupos e eventos sobre o assunto. E é com essa ideia que ele palestrará durante o IoT Meeting, encontro sobre Internet das Coisas que será realizado nos dias 3 e 4 de outubro no Transamerica Internacional Plaza, com cobertura do Portal IPNews.

No evento, Serrano explicará detalhes técnicos sobre a Trendt e o conceito de Makers, a evolução da forma de aprendizagem, explicando os caminhos que se pode seguir para utilizar a tecnologia do melhor jeito possível.

Por  João Monteiro para IPNews.